quarta-feira, 20 de maio de 2015

Maria Teresa Mascarenhas Horta






Maria Teresa Mascarenhas Horta  (Lisboa, 20 de Maio de 1937)



Poeta, ficcionista e jornalista.

Filha de Jorge Augusto da Silva Horta, 5.º Bastonário da Ordem dos Médicos de 1956 a 1961, e de sua primeira mulher D. Carlota Maria Mascarenhas - a qual era neta paterna, por bastardia, do 9.º Marquês de Fronteira de Juro e Herdade, 10.º Conde da Torre de Juro e Herdade, Representante do Título de Conde de Coculim, 7.º Marquês de Alorna de Juro e Herdade e 11.º Conde de Assumar de Juro e Herdade, ele próprio também filho natural - é oriunda, pelo lado materno, de uma família da alta aristocracia portuguesa, contando entre os seus antepassados a célebre poetisa Marquesa de Alorna.

"Frequentou a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Notada a partir de Poesia 61, embora tivesse já um livro publicado quando o grupo surgiu, cedo se afirmou como uma personalidade avessa a qualquer tipo de obediência. Exemplo disso mesmo tem sido a sua heterodoxa militância feminista. 
Celebrizada internacionalmente com a ressonância mediática do conturbado processo judicial que se seguiu à publicação, em 1972, de Novas Cartas Portuguesas – obra inspirada nos amores de Mariana Alcoforado, a lendária freira de Beja –, tornou-se a face visível do feminismo português. David Mourão-Ferreira falou mesmo de «veemente reivindicação em determinados aspectos da condição feminina». Mas, tal como Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa (co-autoras do livro), Maria Teresa Horta nunca hipotecou a obra a essa bandeira, defensora intransigente daquilo a que Camille Paglia chamou de «teoria pagã da sexualidade». 
Com efeito, o seu discurso fortemente conotativo, isto é, aberto a múltiplas dimensões de leitura, sejam de ordem emotiva, cultural ou política, resguarda-se quase sempre atrás da figura do autor implicado, conceito de W.C. Booth de acordo com o qual a projecção de um «segundo eu» não deve confundir-se com a do autor ele-mesmo. Isso é muito nítido em obras como Jardim de Inverno (1966), Minha Senhora de Mim (1971) e Educação Sentimental (1975), livros inaugurais de um ideal libertário raras vezes expresso em língua portuguesa, ou mesmo em Destino (1997), que de algum modo dilui essa pulsão transgressora. Mas talvez seja oportuno recordar que a sua escrita ainda hoje problematiza as relações da textualidade com a sexualidade. 
Além de poeta e ficcionista, é também jornalista. Podemos dividir essa actividade em três períodos distintos: antes do 25 de Abril, quando coordenou sem preconceito ideológico o suplemento «Literatura & Arte», do vespertino A Capital; depois do 25 de Abril, quando, de 1977 a 1989, chefiou a redacção da revista Mulheres, órgão oficioso do Movimento de Libertação das Mulheres; e, a partir da queda do muro de Berlim, quando começou a publicar quase em exclusivo no Diário de Notícias. Não obstante, colaboração sua, da mais variada índole (poesia, recensão literária, entrevistas, crítica de cinema, textos programáticos, etc.), encontra-se dispersa por outros jornais de referência, casos de O Século, Diário de Lisboa, República, Diário Popular, Expresso, JL e O Diário, bem como por revistas como a Seara Nova, Vértice, Flama, Eva, Cadernos do Meio Dia, Hidra I, Colóquio-Letras, Hífen e Ler.
Faceta menos conhecida é a do seu envolvimento com o movimento cineclubista: dirigiu o ABC Cine-Clube de Lisboa (anos 60 e 70) e é autora, com António Macedo, de Verão Coincidente, curta-metragem inspirada num dos seus mais conhecidos poemas. Da sua episódica actividade de tradutora há que destacar Ópio, de Jean Cocteau. Encontra-se representada na generalidade das antologias de poesia e traduzida em vários países."

in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. VI, Lisboa, 1999

A 8 de março de 2004 foi feita Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique pelo Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio.

Foi galardoada com o Prémio D. Dinís 2011 da Fundação Casa de Mateus pela sua obra "As Luzes de Leonor", o qual aceitou, embora se recusasse a recebê-lo das mãos do Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho, ao qual cabia entregá-lo, alegando que este está "a destruir o país"


Obras

Poesia

Espelho Inicial (1960)
Tatuagem (1961)
Cidadelas Submersas (1961)
Verão Coincidente (1962)
Amor Habitado (1963)
Candelabro (1964)
Jardim de Inverno (1966)
Cronista Não é Recado (1967)
Minha Senhora de Mim (1967)
Educação Sentimental (1975)
As Mulheres de Abril (1976)
Poesia Completa I e II (1960-1982) (1982)
Os Anjos (1983)
Minha Mãe, Meu Amor (1984)
Rosa Sangrenta (1987)
Antologia Poética (1994)
Destino (1998)
Só de Amor (1999)
Antologia Pessoal - 100 Poemas (2003)
Inquietude (2006)
Les Sorcières - Feiticeiras (2006) edição bilingue
Cem Poemas + 21 inéditos (2007)
Palavras Secretas (Antologia) (2007)
Poemas do Brasil (2009)
Poesia Reunida (1960-2006) (2009)
As Palavras do Corpo (Antologia de poesia erótica) (2012)
Poemas para Leonor (2012)
A Dama e o Unicórnio (2013)

Ficção

Ambas as Mãos sobre o Corpo (1970)
Novas Cartas Portuguesas (1971) (obra conjunta))
Ana (1974)
O Transfer (1984)
Ema (1984)
A Paixão Segundo Constança H. (1994)
A Mãe na Literatura Portuguesa (1999)
As Luzes de Leonor (2011)
Meninas (2014)

Fontes

http://www.dglb.pt/sites/DGLB/Portugues/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?AutorId=10201
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Teresa_Horta







(Colagem de ALAC, 20 de Maio de 2015)

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